Fazem falta os véio ranzinza (3m1s)
Eu sempre achei muito bizarro esse negócio de jogos violentos, esses video-games onde se atira com metralhadoras, se lançam granadas, esquarteja-se, atropela-se e mutila-se. São todas coisas teoricamente indesejáveis, desagradáveis e que não deveriam ocorrer nem em pensamento, que dirá em realidade virtual, esses pensamentos materializados.
Sim, essas coisas existem e sempre existiram na vida real, estamos cercados delas, uns mais, outros menos, outros nada. Mas, sinto muito, criançada, não são práticas nem sensações que se deva estimular, especialmente nos jovens. Porque não são desejáveis. Elas não podem ocupar tanto tempo nem tanto tutano de um indivíduo, especialmente nos anos de formação do ser humano. Queremos eliminá-las da sociedade.
Ninguém quer ser esquartejado, nem ninguém deveria querer esquartejar. Tanto é que, muito antes de inventarem o video-game, os criminosos hediondos eram uma raridade tão rara que viravam lendas urbanas ou celebridades, tipo o londrino Jack, o Estripador, e Chico Picadinho, fascínora paulistano de meados do século passado.
Me desculpem, mas, sendo bem hortodoxo, antiquado e talvez até retrógrado, quiçá reacionário, cuíca ditatorial ou coisa pior, os adultos têm que botar limites na realidade virtual da moçada. Como diria meu professor de Desenho Técnico, "não confundam liberdade com libertinagem". Tem tanto coisa pra se botar na cabeça de um ser humano, pra quê ficar colocando essas barbaridades?!?! Jesus Cristo!!!
Estou me sentindo um ancião de 70 anos, sentado numa cadeira de balanço, dando bengaladas na cabeça do neto que vive puxando o rabo do gato. Aquele véio ranzinza de 163 anos, fundador da TFP, que passa na frente de uma lan house ou um ciber café, entra pra ver o que tá acontecendo e mete a bengala, monitor por monitor.
É talvez por falta desse tipo de velho com voz é que o mundo tenha dado essa leve degringolada radical que ora assistimos. A obsolescência dos conselhos dos velhos, o esquecimento e a falta de convívio entre as gerações é que leva a esses descaminhos por onde vamos de forma cada vez mais veloz e estarrecedora.
As mudanças não esperam mais que os velhos morram pra acontecer. Elas acontecem à revelia dos velhos. Porque os velhos não importam tanto quanto antes. Eles não nos sustentam mais tanto quanto antes, eles não têm mais o poder patriarcal nas mãos. Não existem mais conselhos de anciãos e não são a razão e a experiência quem decide as coisas mais. O$ valore$ mudaram. O equilíbrio entre o ímpeto e a sabedoria foi rompido.
Por tudo isso e mais um pouco, quando aparece um deputado com um projeto de lei que proíbe a venda de jogos violentos no Brasil, eu apóio. Mesmo sendo esse deputado do partido de maior bancada evangélica no Congresso. Eu apóio. Mesmo que ele seja a favor dos transgênicos, eu apóio. Mesmo que ele coma picadinho de criancinha, eu apóio.
Venda de jogos violentos pode ser proibida
Segunda-feira, 30 janeiro de 2006 - 09:48
Agência Câmara
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6268/05, do deputado Carlos Nader (PL-RJ), que proíbe a comercialização de jogos eletrônicos violentos, conforme classificação do Ministério da Justiça.
A proposta também proíbe a venda de jogos que incentivem a criminalidade e prevê multa de 3 mil Ufirs aos infratores.
Carlos Nader refuta o argumento de que esses jogos ajudam a lidar com emoções, como a agressividade e a prepotência. Segundo ele, muitos estudiosos acreditam que tais programas criam, na verdade, "uma geração de crianças e adolescentes com deficiência de imunização à violência adquirida" - isto é, pessoas que aprendem a associar violência e prazer.
Tramitação
A proposta tramita em conjunto com o PL 1654/96, que proíbe a fabricação, importação e comercialização de jogos eletrônicos e programas de computador de conteúdo obsceno ou violento; e com o PL 1070/95, que detalha os crimes cometidos na divulgação de material pornográfico através de computadores.
Esses projetos já foram aprovados na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e serão analisados pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguem para o Plenário.


